MILHO: atenção ao câmbio e clima

  • 4 de agosto de 2019

No Brasil Central e região Sudeste, os preços do cereal foram de estabilidade à queda em julho. Com o avanço da colheita da segunda safra e aumento da disponibilidade interna, houve pressão de baixa sobre as cotações, mesmo com as exportações brasileiras aquecidas

No Sul do País, os preços se mostraram mais firmes, em função do frio e geadas, que prejudicaram o andamento da colheita e condições das lavouras em algumas áreas. Em curto prazo, a expectativa é de preços mais frouxos no mercado interno, com a colheita da segunda safra na reta final e aumento da disponibilidade interna.
Em médio prazo, se o câmbio ajudar, a expectativa é de uma boa movimentação para a exportação, o que deverá dar sustentação às cotações, principalmente a partir de agosto.
No mercado futuro (B3), as cotações dos contratos de milho com vencimento em agosto/19 em diante registraram valorizações mais fortes ao longo de julho, o que corrobora as expectativas de alta das cotações no mercado físico (vai depender do dólar e do comportamento dos preços no mercado internacional).
Nos Estados Unidos, a produção de milho foi revisada para cima no relatório de julho, depois da forte redução no relatório anterior, de junho. O USDA estima 352,44 milhões de toneladas neste ciclo (2019/20), frente as 347,49 milhões de toneladas estimadas em junho. Apesar das expectativas melhores, o volume previsto é menor que as 366,29 milhões de toneladas colhidas em 2018/2019.

EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS AQUECIDAS

Segundo dados da Secretária de Comércio Exterior (Secex), em julho, até a segunda semana, o Brasil exportou 1,88 milhão de toneladas de milho. A média diária embarcada foi de 208,5 mil toneladas, uma alta de 189,4% na comparação com a média diária de junho último e 291,9% acima do embarcado por dia em julho do ano passado.
Com relação ao faturamento diário, este cresceu 216,2% na comparação mensal e 386,7% na comparação anual. O aumento do volume e receita com as exportações foi puxado pela alta de preços do cereal no mercado internacional.
Em julho, o preço médio da tonelada de milho exportada pelo Brasil foi de US$ 229,63, frente aos US$ 198,75 por tonelada exportada no mês anterior e US$ 174,92 por tonelada exportada em julho de 2018. Para a temporada 2018/2019, a Companhia Nacional de Abastecimento ( Conab) estima que o País exportará 33,5 milhões de toneladas de milho, frente as 23,8 milhões de toneladas embarcadas em 2017/2018.
Ou seja, se o câmbio ajudar, a expectativa é de uma boa movimentação neste segundo semestre para a exportação, o que deverá manter as cotações firmes, principalmente a partir de agosto.

PRESSÃO DE BAIXA NO MERCADO DA SOJA-GRÃO E FARELO DE SOJA

O dólar recuando em julho e as previsões mais favoráveis para o clima em curto prazo nos Estados Unidos tiraram a sustentação dos preços da soja-grão e do farelo de soja no mercado brasileiro. No caso do farelo, segundo levantamento da Scot Consultoria, em São Paulo, a tonelada ficou cotada, em média, em R$ 1.273,03, sem o frete. Houve queda de 2,0% na comparação mensal e frente a julho do ano passado o insumo está custando 11,9% menos este ano.
Em curto prazo, existe espaço para recuos nos preços da soja e farelo de soja no mercado brasileiro, caso o câmbio siga mais fraco (reflexo direto nos preços e exportação) e as previsões climáticas mais favoráveis se confirmem nos Estados Unidos. Para quem não comprou o farelo em abril e maio (melhores relações de troca), o momento é favorável.
Em médio prazo, ou seja, a partir de agosto/setembro, a expectativa de redução da produção norte-americana em 2019/2020 pode voltar a dar sustentação aos preços no mercado mundial, principalmente considerando a possibilidade de a área com a cultura crescer menos na temporada 2018/2020 no Brasil, devido às quedas de preços este ano. Vai depender do câmbio e da demanda mundial.

ENTREGAS DE ADUBOS CRESCERAM NO PRIMEIRO BIMESTRE DE 2019

Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), em fevereiro deste ano as entregas de fertilizantes somaram 2,22 milhões de toneladas ao consumidor final no País. Estes são os últimos números divulgados pela Associação. O volume aumentou 5,1% em relação a igual mês de 2018.
Já no acumulado do primeiro bimestre deste ano, as entregas totalizaram 4,93 milhões de toneladas de adubos, 8,0% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Lembrando que a demanda por fertilizantes nos primeiros meses é composta basicamente pelas culturas de cana-de-açúcar e segunda safra de grãos (safra de inverno) da temporada 2018/2019. Ou seja, segmentos que vinham mais aquecidos e com expectativas de aumento de área semeada, por exemplo, o milho de segunda safra.
Para os meses seguintes, a expectativa é de que este ritmo tenha sido menor comparativamente com o ano passado, em função das quedas nos preços das principais commodities agrícolas (principalmente a soja) e piora nas relações de troca com os fertilizantes para os agricultores.
Com relação aos preços dos adubos, estes estão firmes desde abril, com a demanda maior para o plantio da safra brasileira de grãos 2019/2020.

CUSTOS DE PRODUÇÃO RECUARAM EM JULHO

O Índice de Custo de Produção da Pecuária de Leite apresentou ligeira queda (-0,4%) em julho, na comparação com junho deste ano. Os preços dos alimentos concentrados proteicos recuaram, com destaque para o farelo de soja, contrabalanceando os suplementos minerais e os fertilizantes que tiveram alta nas cotações.
Apesar do recuo, na comparação anual, os custos da atividade estão 2,1% maiores este ano. Em curto prazo, a necessidade da suplementação animal, em função do déficit nas pastagens, junto a uma maior movimentação para os embarques de milho e os estoques enxutos para os farelos, podem pesar nos custos de produção da pecuária.

Sobre o autor

Rafael Ribeiro é zootecnista, msc. Scot Consultoria

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