Leite puxa reação do mercado de sêmen

  • 22 de abril de 2018
Leite puxa reação do mercado de sêmen

Apesar de um segundo semestre complicado para os produtores de leite, as vendas de sêmen de raças leiteiras cresceram quase 10% no ano passado, em comparação com 2016

Por Romualdo Venâncio

O relatório anual da Associação Brasileira de Inseminação Artifi­cial, o Index Asbia, mostra evolu­ção nas vendas de sêmen bovino em 2017. A comercialização total passou de 12,1 milhões de doses, 3,5% a mais do que as 11,7 milhões de doses vendidas em 2016. Boa parte deste crescimento se deve à retomada no mer­cado de genética das raças leiteiras, que avançaram 9,8%. Foram mais de 4 milhões de doses comercializadas em 2017, contra as quase 3,7 milhões no ano anterior. As raças de corte, ainda que representem quase o dobro em volume, com vendas acima de 8 milhões de doses no ano passado, avançaram apenas 0,6% sobre 2016. A Asbia não divulga o volume de doses de sêmen vendidas por raça, mas as quatro principais que lideram o mercado continuam a ser Holandês e Jersey, entre as impor­tadas, e Girolando e Gir, no ranking das nacionais.

Para Sérgio Saud, pre­sidente da Asbia, o resul­tado foi bastante positivo, em especial, porque após um primeiro semestre mais aquecido, aconteceu uma reviravolta no segundo. “Houve aumento de preços do leite no primeiro quadri­mestre e, após a crise de 2015, muitos criadores já vinham utilizando o sêmen que ainda guardavam em seus botijões. Então ocorreu certa euforia para compra”, explica o dirigente. O problema é que no segundo semestre os valores pagos pelos laticínios aos produtores entraram em que­da, esfriando os ânimos. No caso das raças de corte, o setor ainda sofre os impactos da operação “Carne Fraca”, deflagrada pela Polícia Federal em março do ano passado.

As vendas de sêmen de raças leiteiras também foram favorecidas pela re­tomada das compras por parte das prefeituras que investem no melhoramen­to genético. “Como 2016 foi ano de eleições munici­pais, não houve licitações, mas no ano passado esse mercado voltou com força”, comenta Saud. Essa participação das administrações dos municípios é mais comum na Região Sul, seja pela importância do agronegócio em sua economia, seja por uma questão cultural. Nelson Ziehlsdor­ff, diretor presidente da Semex, entende que essa é uma for­ma de as prefeituras impulsionarem o de­senvolvimento socio­econômico como um todo. “Ao subsidiarem a compra do sêmen para os produtores, promovem a evolu­ção dos rebanhos e, consequentemente, da qualidade do leite, dando mais condi­ções de as indústrias crescerem”, explica. “Com isso há também maior arrecadação nessas cidades”, ele acrescenta.

Uma combinação de indicadores econômicos leva os representantes do setor de inseminação a apostarem na continuidade do crescimento. A divulgação do avanço de 1% no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, após dois anos de retração, foi um primeiro passo. “Este anúncio con­firma o fim da reces­são, gerando uma sensação positiva que acaba se trans­formando em ação, ou seja, retomada de investimentos”, diz Saud, que con­tinua: “Também cria uma expectativa de que o PIB possa vir a crescer 3% este ano”. Outro item diz respeito à cesta bási­ca dos brasileiros. De acordo com pesqui­sa feita pela Kantar World Panel, empresa global especializa­da em comportamento dos consumidores, produtos que haviam sido excluídos do carrinho de compras começaram a retor­nar, entre eles, a manteiga e o requeijão, dois derivados de leite.

Ziehlsdorff comenta ter ouvido, em conversas com representantes das in­dústrias, a explicação de que o problema do preço ao produtor está diretamente relacionado à queda do consumo nas gôn­dolas e geladeiras do varejo. Diante dessa análise, acredita-se, então, que a situação melhore para os cria­dores. Ao menos para a Semex, tal cenário já estimula a projeção de novos avanços. A boa notícia do crescimento de 12% da empresa em vendas de sêmen de raças leiteiras em 2017 ficou ainda melhor após o balanço de janeiro deste ano. “Nosso fatu­ramento total aumentou 26% sobre janeiro do ano passado, e muito por causa do leite, pois o principal período das vendas de corte, a estação de monta, já passou”, avalia o presidente.

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Leia a íntegra desta matéria na edição Balde Branco 641, de abril 2018