Inovação aberta na cadeia do leite, um convite para empresas

  • 2 de abril de 2019

“O custo de desenvolver novas tecnologias e entregá-las para a sociedade é crescente”

Como viabilizar a geração de soluções inovadoras para a produção de leite nos trópicos, com a crescente escassez de recursos públicos? E, por causa dessa situação, quais devem ser as prioridades para a Embrapa Gado de Leite em um futuro próximo? Em resposta, na Embrapa realizamos avaliações periódicas da cadeia produtiva, contando com a participação do setor produtivo, que é convidado a opinar. Dessa forma, ajustamos nosso planejamento para que os recursos sejam aplicados na entrega de soluções.

No final do ano passado, consultamos a cadeia produtiva do leite sobre quais seriam as prioridades de pesquisa, via internet. Para isso, foi usado um questionário composto de mais de quarenta perguntas para estabelecer o nível de prioridade (de “alta” a “não é prioritário”) de várias tendências tecnológicas identificadas pelos nossos pesquisadores. A maioria das quase 400 respostas é da região Sudeste, especialmente de Minas Gerais, o maior produtor de leite do País, e da região Sul, a que mais cresce na produção.

Para ilustrar, os produtores de leite foram separados em três faixas de produção, até 200 litros/dia, entre 200 e 2.000 l/dia e acima disso, totalizando 129 produtores participantes, dos quais, 33 produtores até 200 litros/dia, 68 entre 200 a 2.000 litros/dia e 27 acima de 2.000 litros/dia. Neste exemplo, constatamos que os produtores acima de 200 l/dia têm maior preocupação com a Gestão de sistemas de produção e mercado, e os de menor produção dão mais importância à nutrição do rebanho. Portanto, precisamos desenvolver soluções de modo a atender a interesses diversos nesta cadeia produtiva tão rica em contrastes.

Ao mesmo tempo, consideramos as transformações da cadeia produtiva em longo prazo, focados na intensificação da produção com sustentabilidade e, cada vez mais, através da iniciativa Ideas for Milk, tratamos da Pecuária 4.0 e da automação. Estas são tecnologias que integram equipamentos com computadores e telefones celulares para gerar informações que vão permitir a tomada de decisão com mais confiança e também conforto para os produtores. As empresas startups vinculadas ao Ideas for Milk têm obtido sucesso na apresentação e venda dos seus produtos inovadores nas diversas feiras onde se apresentam em parceria com a Embrapa Gado de Leite. Para nós, esse é um excelente indicador de que estamos na direção correta. Mas como pesquisar gestão e mercados, nutrição de vacas, pecuária 4.0, automação? E as várias outras linhas de pesquisa?

O custo de desenvolver novas tecnologias e entregá-las para a sociedade é crescente. Por isso, a Embrapa está “olhando para fora”, interessada em empresas dispostas a gerar tecnologias inovadoras em parceria, complementando as competências das equipes de pesquisadores e analistas, seus laboratórios e suas instalações. Além disso, garantindo mercado para essas novas tecnologias, de empresas tradicionais pequenas ou grandes, ou de startups. É a ‘Inovação Aberta’, em que há colaboração entre os parceiros desde o início do projeto de pesquisa, diferentemente de ensaios de validação ou prestação de serviços de análises. Na ‘Inovação Aberta’, as vantagens de cada parceiro são somadas e maximizadas, e as soluções geradas podem chegar ao mercado de modo rápido.

Vivemos uma mudança significativa no modelo de negócio da Embrapa, que convido as empresas a conhecerem melhor. Com o modelo de ‘Inovação Aberta’, estão criadas as condições para que as empresas privadas passem a ser parceiras efetivas no desenvolvimento das soluções identificadas como prioritárias e demandadas pelos produtores e outros segmentos da cadeia do leite, com mais rapidez.

Sobre o autor

Pedro Braga Arcuri é pesquisador da Embrapa Gado de Leite

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