Genoma: estratégias de uso definem a velocidade do progresso genético do rebanho

  • 8 de maio de 2019
Genoma: estratégias de uso definem a velocidade do progresso genético do rebanho

Com o mapeamento genômico, se obtém significativa redução no intervalo de geração de uns quatro anos, ou seja, é um salto genético extraordinário
Cláudio Aragon

O advento do genoma revolucionou a pecuária leiteira. A possibilidade de termos, com segurança, informações da genética de um animal ainda muito jovem nos dá uma ferramenta única para encurtarmos o intervalo entre gerações. Antes do genoma, o produtor tinha de esperar a vaca parir e encerrar uma lactação para saber se o animal era realmente bom. Hoje, com cinco ou seis meses de idade, já é possível ter essa confirmação. E quanto mais jovens as fêmeas forem submetidas ao mapeamento genômico, maior será o ganho genético para o rebanho. Isso significa uma redução no intervalo de geração de uns quatro anos, ou seja, é um salto genético extraordinário. A aplicação dessa ferramenta em rebanhos comerciais certamente irá impulsionar o progresso genético de forma nunca vista antes.

As estratégias utilizadas em cada rebanho irão determinar o quanto mais rápido será este progresso. Através do genoma, podemos identificar os animais superiores dentro do plantel e trabalhar de forma distinta com esta genética, aumentando sua frequência na reposição do rebanho. Conseguimos, também, identificar os indivíduos inferiores e, com as corretas estratégias, eliminar a transmissão desta genética nas futuras gerações. Suponhamos que tivéssemos feito o genoma de quatro bezerras do plantel e que os resultados genéticos para leite fossem:
• Bezerra 1 – PTA Leite de 816 kg;
• Bezerra 2 – PTA Leite de 544 kg;
• Bezerra 3 – PTA Leite de 227 kg;
• Bezerra 4 – PTA Leite de -90 kg.

Caso utilizássemos as quatro bezerras de forma igual para produzir a próxima geração, teríamos uma transmissão média de 375 kg de leite. No entanto, através do genoma, podemos utilizar diversas estratégias para estas quatro bezerras. A mais simples seria:
• Bezerra 1 – Doadora;
• Bezerra 2 – Uso de sêmen sexado de
alto valor genético;
• Bezerra 3 e 4 – Receptoras da bezerra 1.

Caso utilizássemos esta simples estratégia, a média de transmissão de leite para a geração seguinte (apenas analisando o lado das fêmeas) seria de 680 kg (ou mais, conforme resultados de embrião da doadora). Uma diferença muito significativa, utilizando uma estratégia simples.

Leia a íntegra desta matéria na edição Balde Branco 653 (maio/2019)