Excesso de barro: melhor prevenir do que remediar

  • 6 de março de 2019
Excesso de barro: melhor prevenir do que remediar

E mesmo porque não tem como remediar. Então, a recomendação é realmente prevenir, aproveitando a seca para identificar e reduzir os pontos de acúmulo de lama na propriedade

Por Luiza Mahia

Mais do que ninguém, o produtor de leite sabe o tamanho dos transtornos provocados pela formação indesejável de excesso de barro na propriedade. E isso se agrava mais ainda quando vira uma lama decorrente da mistura do barro com dejetos dos animais e restos de alimentos, o que potencializa os riscos à saúde dos animais. Essa é a realidade de muitas e muitas fazendas no período das chuvas. Nas propriedades leiteiras, além do incômodo no deslocamento dos animais, máquinas e funcionários, a lama é um fator que pode influenciar negativamente na lucratividade do negócio.

“Em um ambiente sujo de lama, a vaca estará mais propensa a riscos para a saúde, o que afeta seu bem-estar e, consequentemente, reduz a produtividade leiteira”, diz o médico veterinário Eduardo Harry Birgel Junior, professor do Departamento de Medicina Veterinária da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da Universidade de São Paulo-USP, em
Pirassununga-SP. “Quando mantido por muito tempo em uma área encharcada, o casco do bovino tende a amolecer e as vacas ficam mais predispostas a traumatismos na região”, alerta Birgel.

Ele explica que a lama gruda no casco e, ao secar, forma uma bolsa de terra com bactérias que se aglutinam principalmente no meio da unha e no talão do casco, provocando as dermatites interdigitais e as erosões do talão. “No início, a manqueira é pequena, mas, conforme a inflamação aumenta, afeta gravemente o deslocamento do animal”, diz.

Uma vaca que manca muito fica menos tempo em estação de monta e come menos. “Com dor, as matrizes preferem ficar deitadas e se alimentar o mínimo necessário, o que afeta o balanço energético. Dentro do estábulo elas se mantêm em uma posição defensiva para evitar a monta, o que dificulta a detecção do cio”, continua. O professor da USP alerta ainda para os cuidados na área de maternidade. “Se a lama atingir o duto vaginal da vaca em trabalho de parto, há o risco de aparecimento de endometrite crônica, que provoca a infertilidade. Já o bezerro, ainda sem imunidade, tem grandes chances de adquirir infecções, principalmente pelo cordão umbilical, que é a porta de entrada das bactérias”, afirma. Sem capacidade para controlar a temperatura corporal, o bezerro, em contato com a lama, também pode morrer de hipotermia.

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Leia a íntegra desta matéria na edição Balde Branco 644, de julho 2018