Estudo foca na virulência e nos reflexos à saúde pública dos patógenos ambientais

  • 20 de fevereiro de 2019
Estudo foca na virulência e nos reflexos à saúde pública dos patógenos ambientais

Além da qualidade do leite e do impacto à saúde humana desses agentes, há a preocupação com a multirresistência das bactérias aos antimicrobianos

Por João Antônio dos Santos e Fernanda Goulart

Principal doença que afeta o rebanho leiteiro, com enormes prejuízos à cadeia produtiva do leite, a mastite é objeto de pesquisa pioneira que trará uma grande contribuição para os programas de controle da enfermidade. Trata-se do projeto temático que investiga casos de mastite causada por patógenos ambientais – Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae e Enterococcus spp. –, isolados de casos clínicos e de amostras de leite do tanque de resfriamento.

“A mastite é causada por uma série de micro-organismos, de origem contagiosa ou de origem ambiental, que repercute na qualidade do leite e evidentemente na saúde daqueles que consomem o leite porque podem estar veiculando agentes considerados causadores de zoonoses, que são as doenças comuns entre os seres humanos e os animais”, explica o professor Hélio Langoni, do Departamento de Higiene Veterinária e Saúde Pública (DHVSP), da FMVZ-Unesp, em Botucatu-SP, responsável pelo projeto “E. coli, Klebsiella pneumoniae e Enterococcus ssp.: Impacto dos fatores de virulência na mastite bovina e reflexos na saúde pública”, que conta com uma equipe multidisciplinar de pesquisadores.

Esse projeto foi aprovado pela Fapesp, e há mais de um ano está sendo desenvolvido em dez fazendas leiteiras de grande porte (quatro em São Paulo e seis em Minas Gerais). As propriedades são identificadas com letras do alfabeto, de modo a preservar as fontes de informações. “O objetivo é trabalhar com patógenos de origem ambiental como Escherichia coli, Klebsiella, Enterococcus, que são muito importantes quando se trata da mastite. Com a produção em larga escala na bovinocultura leiteira, as fazendas foram se adaptando a condições de alta produção, com maior número de animais e exigências de desempenho, o que acarretou mais problemas, sobretudo, de instalações, como a contaminação de cama dos animais, e de veiculação desses patógenos”, assinala Langoni. O grupo de bactérias ambientais é encontrado nas fezes dos animais, na terra, na água, no ambiente da pré e pós-ordenha, entre outros pontos das instalações.

O projeto pretende estudar não somente a etiologia desses patógenos, mas também todos os possíveis aspectos de virulência relacionados a esses microrganismos e entender melhor os aspectos da imunopatologia da glândula mamária. “No final, após termos definido esses aspectos, vislumbraremos a possibilidade da produção de uma vacina para proteção dos animais, no que diz respeito aos patógenos ambientais”, adianta o professor.

Trata-se de trabalho multi-institucional, com a participação de pesquisadores da Unicamp, da Agência Paulista de Agronegócios (Apta de Bauru), além de pesquisadores de departamentos do Instituto de Biociências da Unesp de Botucatu.

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Leia a íntegra desta matéria na edição Balde Branco 650, de fevereiro 2019