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Luís Fernando Laranja da Fonseca |
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Leite
é sustentável Ambientalmente
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No Brasil, a pecuária de leite ocupa de
18 a 19 milhões de hectares. É a terceira atividade em
área, com mais de um milhão de produtores. Na mesma proporção
está a responsabilidade do setor em relação aos
dejetos e a contaminação do solo e dos recursos hídricos.
Apesar disso, a pecuária de leite é considerada uma atividade
absolutamente sustentável do ponto de vista ambiental |
| Nelson Rentero | |
O médico veterinário Luis Fernando Laranja da Fonseca se destacou
no setor leiteiro como professor da Faculdade de Medicina Veterinária
e Zootecnia/USP. Por vários anos, ajudou a formar técnicos especializados
na atividade, dentro e fora do processo acadêmico, ao promover eventos
que fornecem informação complementar, como os conhecidos Interleite.
Foi ele também um dos primeiros nomes a falar de qualidade de leite,
chegando a explicar exaustivamente o que era e para que servia a contagem
de células somáticas, um procedimento divulgado por ele no País,
antes mesmo de chegarem os equipamentos voltados para tal análise.
Mas seu espírito inquieto e ávido por novas experiências,
o retirou do leite e levou para outras experiências longe das vacas.
Por alguns anos viveu na distante em Alta Floresta-MT, onde se envolveu com
produção de madeira e, mais recentemente, com castanhas. Organizou
e valorizou o negócio, ganhando também destaque no cenário
agrícola. Tanto que, há dois anos, foi chamado para trabalhar
na WWF (World Wildlife Fund), uma das mais respeitadas entidades ambientalistas
internacionais, onde vai responder pelo Programa de Agricultura e Meio-Ambiente.
Nesta entrevista exclusiva à Balde Branco, Laranja fala desta sua nova
experiência, o que inclui ações objetivas e concretas,
voltadas para o fim do desmatamento das áreas florestais e dos planos
que garantam a expansão da agricultura no País e no mundo, de
forma sustentável e lucrativa. Como não poderia deixar de ser,
não poupa palavras sobre o atual cenário do setor leiteiro.
Diz estar surpreso com o processo - que ajudou a alavancar - de melhoria da
qualidade do leite no Brasil, mas considera que há muito por fazer.
Fala também das oscilações de preços, de exportação
e, logicamente, da relação entre pecuária leiteira e
meio ambiente.
Balde Branco - O sr. é uma pessoa reconhecidamente ligada ao
leite. Como se sente agora, em suas palestras, falando de meio ambiente?
Luís Fernando Laranja da Fonseca - Acho que as pessoas ficam
um pouco surpresas, estranham um pouco. Essa é a sensação
que me passa. Afinal, trata-se de uma mudança um tanto abrupta na minha
carreira. Por outro lado, consideram interessante o conteúdo das palestras,
alguns pensam que o tema é até meio exótico. Afinal,
devem se perguntar como um cara que sempre trabalhou com gado de leite deixa
a vaca de lado e passa a se interessar por meio ambiente? Mas como se trata
de um assunto da moda, a sensação que passa é quase sempre
positiva.
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O movimento que envolve a questão
ambiental é um processo irreversível na escala global.
Está ligado à sustentabilidade do planeta
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BB - Qual é sua ação profissional hoje?
LFLF - O que faço hoje na WWF (World Wildlife Fund) não
é absolutamente diferente do que eu fazia antes. Fui contratado para
montar e reorganizar o Programa de Agricultura e Meio-ambiente de uma grande
organização. Só no Brasil, somos 100 funcionários;
no mundo, mais de 5 mil, espalhados por vários departamentos, como
o de Energia, Mudanças Climáticas, Águas, Educação
Ambiental... O meu é o de Agricultura. É um trabalho feito em
cima de projetos na área agrícola, em que o componente ambiental
é o cerne da questão. Mas é um trabalho quase que acadêmico.
É feito de palestras, de conversar com pessoas do setor, de se envolver
nas associações, discutir as estatísticas da agricultura,
a expansão de área das diferentes culturas. Por exemplo, sou
atualmente vice-presidente da Mesa Redonda Global da Soja, que reúne
profissionais de supermercados, tradings, ONGs e lideranças de produtores
da Europa e de toda América Latina. É uma associação
setorial, onde minha missão é integrar o desenvolvimento e utilização
da cultura da soja às questões ambientais.
BB - Como o sr. vê a questão ambiental na prática,
no dia-a-dia?
LFLF - Considero o movimento que envolve a questão ambiental
como um processo irreversível na escala global. E o processo a que
estamos assistindo tem lógica, pois estamos frente a um desafio muito
grande, que é o de proporcionar sustentabilidade para o Planeta. O
que está ocorrendo em termos de denúncias é real, é
verdadeiro, tem fundamento. O movimento, que inclui a sociedade civil organizada,
inclui também a academia... Por exemplo, o IPCC, que é o Painel
Intergovernamental de Mudança Climática, é essencialmente
um grupo acadêmico, que tem gerado uma gama enorme de dados sobre aquecimento
global, que subsidiam os filmes/palestras do Al Gore (ex-vice-presidente dos
Estados Unidos). Esse movimento envolve também empresas, que respondem
de forma ampla e dão consistência ao movimento.
BB - Como fica a agricultura dentro desse contexto?
LFLF - Dentro do desafio ambiental, a agricultura é um tema
extremamente relevante. Afinal, se estamos falando dos ecossistemas globais,
o que é que mais ocupa esses ecossistemas em qualquer lugar do Planeta?
É prioritariamente alguma coisa que se planta. E o que é que
mais ocupa área no mundo? É o campo, são as atividades
agropecuárias. Então, a agricultura é um elemento-chave
nesse processo todo. E dentro desse setor, vejo a pecuária como o setor
mais importante, já que é a atividade que mais ocupa espaço.
Aliás, trata-se da principal atividade humana, em termos de impacto
sobre os ecossistemas.
BB - Qual é a relação que o sr. faz da questão
ambiental com a pecuária de leite?
LFLF - Eu nasci e me criei dentro de uma fazenda de gado. Fui fazer
Medicina Veterinária. Na minha vida profissional inteira, trabalhei
com gado de leite. Então, tenho plena consciência da dimensão
da pecuária nesse movimento todo. E a pecuária de leite tem
uma importância significativa dentro do grande grupo da pecuária,
até porque ocupa uma área muito expressiva e também porque
exige que o seu impacto ambiental precise ser constantemente manejado. A WWF
deverá divulgar em breve um estudo de avaliação de cenários
sobre o uso da terra no Brasil até 2020, analisando as cadeias da pecuária
de leite, pecuária de corte, soja, milho e cana-de-açúcar.
Essas cinco atividades agropecuárias, juntas, representam 95% da área
agropecuária do Brasil.
BB - Qual é a área ocupada com leite no País?
LFLF - É o que vamos responder com esse trabalho. Pela primeira
vez, surge um estudo voltado para estimar a área ocupada pela pecuária
de leite no Brasil. Na realidade, é um negócio muito curioso,
porque não existe informação nesse sentido. Ninguém
sabe! Sem esse dado, a coisa se complica, inclusive, para nós, ambientalistas,
pois inviabiliza qualquer discussão sobre a questão do uso da
terra no Brasil e no mundo, já que não sabemos quantos hectares
são utilizados pela pecuária de leite, pela cana, pelo milho...
Em função de uma série de cálculos, estimativas,
projeções, estamos chegando a um número aproximado que
servirá pelo menos para "botar a bola no jogo". Sobre sua
pergunta, se estima que a pecuária de leite ocupe algo em torno de
18 a 19 milhões de hectares no País.
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A qualidade do leite melhorou
muito. Há uns dez anos, se explicava o que era CCS sem ter
medidor de células no país para mostrar
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BB - Com este espaço, a produção de leite está
entre as atividades que mais ocupam área, certo?
LFLF - A pecuária de leite é a terceira atividade, ficando
atrás somente da pecuária de corte, a primeira colocada, e da
soja, que está com 22 milhões de hectares. Tais constatações
são importantes, pois precisamos entender onde que está essa
terra, o que está sendo feito dela, como que está sendo administrada...
Esse é um dos pontos que mostram a importância da pecuária
no contexto da questão ambiental. Afinal, precisamos ficar cada vez
mais atentos à questão de aquecimento global, já que
ganha cada vez mais espaço o debate sobre o impacto proporcionado pelos
bovinos na produção de gás de efeito estufa. Ao mesmo
tempo, o produtor de leite tem uma responsabilidade muito grande em relação
aos dejetos, especialmente, quanto à questão de contaminação
do solo e dos recursos hídricos. Apesar disso, acredito que a pecuária
de leite pode ser uma atividade absolutamente sustentável do ponto
de vista ambiental, aliás, como poucas outras atividades agropecuárias.
BB - Ainda sobre a pecuária de leite, o sr. tem afirmado que
há um deslocamento constante da atividade, no que é acompanhado
por um número cada vez maior de produtores, o que contraria a tendência
mundial. O sr. confirma isso?
LFLF - Continuo acreditando que o número de produtores de leite
no Brasil está aumentando. E quanto mais viajo por esse Brasil afora,
mais me convenço disso. Lamentavelmente, não temos estatísticas
para provar. Nota-se uma expansão da atividade nas regiões mais
remotas, e quanto mais remota, maior o dinamismo da entrada do leite, especialmente
na agricultura familiar. Recentemente, fiz uma expedição para
o noroeste do Mato Grosso, em municípios como Cotriguaçu, Colniza...
Você chega lá e vê gente produzindo leite, tem laticínios
na cidade. Então, isso me faz acreditar que ainda estamos num processo
de aumento do número de produtores de leite, o que é uma tendência
atípica no mundo. Por outro lado, temos uma pecuária leiteira
super desenvolvida, intensiva, crescendo. É muito curioso esse contraste
tecnológico dentro do setor. A expressão que melhor ilustra
a pecuária leiteira brasileira é aquela do conceito da Belíndia,
ou seja, o Brasil leiteiro continua sendo representado, por uma parte, da
Bélgica, e por outra parte, da Índia. E sabe que até
não vejo problema nisso.
BB - Qual é o número de produtores de leite no País
que o sr. projetaria, hoje?
LFLF - Não tenho essa projeção. Com base em informações
extremamente precárias, arriscaria dizer que é acima de um milhão,
não sei quanto, cem mil, trezentos mil....
BB - E sobre o deslocamento das bacias leiteiras? A tendência
é de estarem cada vez mais distantes dos centros consumidores?
LFLF - Acho que tal tendência continua. Ao analisar o estudo
Cenários da Cadeia do Leite, produzido pelo site MilkPoint, com apoio
de várias organizações, se nota, por exemplo, que o leite
produzido na região Norte do País tende a aumentar nos próximos
anos. E não estamos falando de pouca coisa, mas, sim, de alguns milhões
de litros de leite sendo produzidos numa região onde não se
tinha leite. Veja bem, estamos falando da Amazônia. Por lá, a
produção vai crescer como um todo e, proporcionalmente, vai
crescer de forma mais acelerada nas regiões de fronteira. E continuará
assim até chegar num ponto em que a expansão de qualquer atividade
agropecuária na região vai ser freada.
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Os alimentos alcançaram
outros patamares de preços. Trata-se de um realinhamento, o
que não impede que ocorram oscilações
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BB - Na história recente do leite no País, o sr. foi
responsável por divulgar algumas informações relacionadas
com a qualidade de leite que, até então, não faziam parte
da cultura do setor. Por exemplo, o que era e para o que servia a contagem
de células somáticas. Passados alguns anos, a evolução
da qualidade de leite no Brasil o satisfaz?
LFLF - Em vez de dizer que me satisfaz, digo que me surpreende positivamente.
Por quê? Porque a gente sempre busca melhorias quando se quer chegar
num estágio melhor. Sinceramente, fiquei surpreso com a velocidade
com que tudo aconteceu. Surpreso e contente, pois me lembro bem de quando
começamos a falar desse negócio chamado células somáticas.
Foi através de um artigo escrito em 1992, na revista Gado Holandês.
Até então, nada havia sido escrito a respeito do tema para produtores.
Você tinha que explicar para as pessoas o que era a contagem de células
somáticas, e elas não entendiam direito. Não tínhamos
um medidor de células somáticas para ajudar. Mas num período
de pouco mais de dez anos, a situação mudou de forma significativa
e a qualidade do leite melhorou muito. A contagem bacteriana total também
melhorou de forma significativa. Então, quando digo que o atual estágio
me surpreende positivamente, quero dizer que temos ainda um bom caminho a
trilhar, e já sabemos qual é esse caminho.
BB - Da forma como está encaminhada essa questão, podemos
dizer que está suficientemente resolvida para se pensar no Brasil exportador
de lácteos?
LFLF - Acho que estamos no caminho certo. Até acredito que não
vai ser pela questão da qualidade do leite que vamos deixar de exportar
produtos lácteos. Com o atual padrão de qualidade, poderíamos
até estar exportando mais. Temos que nos preparar para melhorar dentro
do cenário competitivo do mercado internacional, já que as oportunidades
estão surgindo de forma muito mais rápida do que se imaginava.
BB - O preço do leite, apesar de ter se retraído nos
últimos três meses, ainda flutua num patamar valorizado, se comparado
há dois anos atrás. Como o sr. vê esse cenário?
LFLF - Acho extremamente temeroso fazer qualquer análise neste
período, pois estamos num momento de exceção. Digo isso
não só para o leite, como também para outras commodities
agrícolas e para o próprio cenário financeiro internacional.
No entanto, em termos gerais, entendo que estamos passando definitivamente
para outros patamares de preço de alimentos na escala global, o que
acho até muito razoável, já que há muito tempo
os preços do setor estavam defasados. Na realidade, o que se observa
hoje é um realinhamento de cotações, o que não
quer dizer que ocorram oscilações, como se nota agora com o
leite. Trata-se de um refluxo parcial. O mais complicado, no caso, é
que o tal refluxo veio acompanhado de elevação dos insumos,
mexendo nos custos de produção. Se por um lado o preço
do leite subiu a níveis que a gente não conseguiria imaginar,
dois anos atrás, por outro, o custo de produção subiu
também. Então, estamos numa dupla inflação, de
custo e de preço, o que não quer dizer, repetindo, que voltaremos
aos antigos patamares.
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Fechamos um pacto para desmatamento
zero até 2020. Acho bem possível, mas é um plano
que vai envolver muitas negociações
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BB - É sabido que as pastagens degradadas comprometem a produtividade
de nossa pecuária. O próprio ministro da Agricultura, Reinhold
Stephanes, afirma que não precisaríamos derrubar uma árvore
para duplicar nossa produção de grãos, de leite, de carne...
Bastaria recuperar boa parte dos solos no País. O que o sr. tem a comentar
a respeito disso?
LFLF - Acho que na teoria esse negócio é perfeito. Assino
embaixo 25 vezes, se precisar. Quando se faz a conta no papel, se percebe
os ganhos em função do aumento de produtividade e da mudança
de dinâmica do uso da terra entre as diferentes culturas. Nesse caso,
me refiro à destinação de uma parte da área de
pecuária para a agricultura. No papel, essa conta fecha. Se tivéssemos
uma situação em que fosse possível administrar o Brasil
inteiro como se fosse uma fazenda, ou seja, como se houvesse um dono, então,
a equação estaria resolvida. O dono dessa fazendona chamada
Brasil iria cercar aquela área da Amazônia, redividir o pasto,
pegar uma parte e reservar para lavoura. Iria produzir muito mais, ganhar
muito mais dinheiro e deixar uma enorme reserva legal e ainda ganhar os créditos
de carbono lá na frente. Mas essa história não pode ser
assim contada e tampouco permite projetar números muito otimistas.
BB - Em sua opinião, por que isso ocorre? Temos áreas
disponíveis demais?
LFLF - Ocorre porque temos diferentes atores envolvidos no processo.
Temos atores privados, por exemplo, que têm seus interesses particulares,
que não são objetos de regulação absoluta do Estado.
Vou dar um exemplo: se o cidadão tiver legalizada uma fazenda com mil
hectares na Amazônia, ele tem por lei o direito de desmatar 200 hectares.
É uma lei rígida, que o obriga a deixar 80% de reserva legal.
Então, não há como administrar de cima para baixo, ou
seja, não é um cara em Brasília que decide através
de uma "canetada" ou de uma declaração que não
vai ser derrubada mais nenhuma árvore. O processo é mais complexo.
Agora, a teoria do ministro Stephanes é possível. A matemática
agronômica, a técnica da coisa é absolutamente possível.
BB - Pessoalmente, o sr. acredita que a questão do desmatamento
da Amazônia vai ter um fim, antes de ser considerada crítica?
LFLF - Trata-se de uma questão estratégica para todos
nós. Em função de articulações que precisam
ser feitas, temos que caminhar para o plano de desmatamento zero. O WWF é
signatário de um plano chamado Pacto Pelo Desmatamento Zero. E esse
pacto não quer dizer que o desmatamento zero vai ser no ano que vem.
Definimos o ano de 2020 para concluir o Pacto do Desmatamento Zero. Então,
fizemos um escalonamento para gradualmente diminuir as taxas de desmatamento,
e nos próximos 10/12 anos adotar uma série de políticas
que levem à meta pretendida. Isso eu acho que é possível,
mas falar em desmatamento zero para amanhã é muito difícil.
No plano da WWF existe uma série de questões que vão
render conversa, render negociações, discussões... É
preciso identificar mecanismos para ajustar o Código Florestal. Um
dos mecanismos é o pagamento com serviços ambientais, o que
pode ser uma boa solução.
BB - O que significa essa proposta?
LFLF - Que alguém pague para o homem do campo manter a floresta.
Na prática, a proposta é simples: "Meu amigo, você
tem direito a desmatar 200 hectares, mas quanto você quer para não
fazer isso e cuidar desses 200 hectares em pé?" Aí o cara
responde: "Eu quero R$ 500 por hectare por ano!" Ora, se ele tiver
alguém que quer dar o dinheiro, e acho que vai ter, o cara vai ser
produtor de floresta nativa. E está resolvida a questão!
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