Bezerras: pesquisa aponta deficiência no manejo vacinal

  • 3 de novembro de 2019
Bezerras: pesquisa aponta deficiência no manejo vacinal

Dissertação de mestrado mostra que a vacina contra brucelose interfere na ação da vacina contra clostridioses, quando aplicadas simultaneamente (Rubens Neiva)

 

A eficiência da vacina contra clostridioses, aplicada nos primeiros meses de vida dos bezerros, está sendo prejudicada devido a uma prática de manejo comum entre os produtores de leite: a aplicação de várias vacinas ao mesmo tempo. É o que demonstra a dissertação de mestrado em Zootecnia, pela Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), realizada no campo experimental da Embrapa Gado de Leite. O mestrando Hilton Diniz e a equipe de pesquisadores verificaram interferência na resposta vacinal dos animais imunizados contra brucelose e clostridioses, quando aplicadas simultaneamente.

De acordo com Diniz, “a vacinação simultânea resulta em decréscimo significativo nos títulos de anticorpos contra doenças causadas por bactérias do gênero Clostridium”. Isso pode culminar em bovinos não protegidos contra essas afecções nas propriedades leiteiras. O mesmo estudo demonstra que a vacina contra brucelose não sofreu qualquer interferência na resposta imunológica, permanecendo eficaz.

Segundo a professora da UFMG, Sandra Gesteira Coelho, orientadora de Diniz nas pesquisas, a iniciativa para realização desse trabalho se deu a partir de alguns relatos de produtores de leite. “Quando visitamos fazendas, em várias regiões do Brasil, os produtores questionam a vacinação dos animais”, diz Sandra. De acordo com os produtores, a vacinação costuma impactar negativamente no desempenho e saúde dos bovinos. “Isso tem feito com que algumas fazendas não realizem a vacinação”.

Para a professora, situações como essa contribuem para “desacreditar” as vacinas. Algo semelhante tem acontecido na saúde humana. “Levados por notícias falsas e falta de informação, muitas pessoas têm deixado de vacinar as crianças, fazendo com que doenças que antes estavam controladas, voltem a preocupar a população”, diz Sandra.

 


Leia a íntegra desta matéria na edição Balde Branco 659 (novembro/2019)