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O aumento da frequência de ordenha tem sido um tópico de interesse e pesquisa na pecuária leiteira há vários anos. Até recentemente, a maior parte das aplicações experimentais e de campo sobre o tema avaliaram esta prática definindo diferentes intervalos em busca de maior produção. Thomas R. Overton, do Departamento de Animal Science da Cornell University-EUA, é um desses pesquisadores. No último mês de março ele esteve por aqui, durante o Curso Novos Enfoques sobre Produção e Reprodução de Bovinos, promovido pela Conapec Jr./Unesp Botucatu-SP, apresentando os resultados que tem colhido nos Estados Unidos, mais especificamente, na escola onde atua como professor e pesquisador.
Um dos estudos mais recentes, resumindo 19 trabalhos em que as frequências de ordenha de três vezes ou quatro vezes foram comparadas com a tradicional prática de duas ordenhas, apontou que quanto maior a frequência de ordenha, maior o volume de leite, assim como o rendimento de gordura e proteína. Tal referência é o que norteia a prática comum de se ordenhar três vezes ao dia ao longo de toda a lactação na maioria das fazendas leiteiras norte-americanas, com mais de 500 vacas.
“Por uma série de motivos, não é uma medida prática a ser adotada nas pequenas propriedades”, ressalta. Segundo ele, uma nova variação na frequência de ordenha tem recebido alguns novos projetos de pesquisa. Na tentativa de aumentar o rendimento de vacas leiteiras em início de lactação, a equipe dos pesquisadores Bar-Peled ordenhou vacas seis vezes/dia durante os primeiros 42 dias de lactação e, em seguida, voltou ao esquema de três vezes/dia. “Não causou surpresa constatar que as vacas ordenhadas seis vezes/dia produziram mais leite do que as ordenhadas três vezes/dia durante o período de 42 dias (7,3 kg/dia mais que as vacas controle).

“Entretanto, depois que as vacas ordenhadas seis vezes/dia voltaram ao esquema de três ordenhas, produziram 5,1 kg/dia a mais que as controles, da 7ª semana até a 18ª semana de lactação”, cita. Observa também que, para toda a lactação, as vacas ordenhadas seis vezes/dia, durante os primeiros 42 dias de lactação e em seguida três vezes/dia durante o restante da lactação, produziram aproximadamente 1.500 kg a mais de leite que as controles, de três vezes/dia. “Este aumento do rendimento leiteiro aproximou a média da resposta obtida com quatro ordenhas por toda a lactação, porém com menor utilização de mão de obra”, observa.
Na tentativa de replicar estes resultados, pesquisadores de Maryland conduziram um experimento em uma fazenda leiteira, em que avaliaram as mesmas frequências durante o mesmo período. Resultado: as vacas multíparas ordenhadas seis vezes/dia produziram mais leite (41,1 kg/dia) que as do grupo controle (38,2 kg/dia). Os pesos diários de leite foram monitorados durante 38 semanas. Já a resposta de vacas primíparas foi mínima e não significativa. Não houve efeito significativo do tratamento no índice de gordura, mas o rendimento de gordura nas vacas multíparas foi 0,13 kg/dia maior que nas de controle (1,61 kg e 1,48 kg, respectivamente).
As diferenças em contagem de células somáticas ou bacteriana não foram significativas entre os grupos. Há cinco anos, a equipe do pesquisador Dahl concluiu que vacas ordenhadas seis vezes/dia, durante os primeiros 21 dias de lactação, apresentaram também maior pico e rendimento leiteiro, e tenderam a produzir 1.100 kg de leite a mais durante a lactação que as vacas ordenhadas três vezes/dia durante toda a lactação. Além disso, observaram que as vacas ordenhadas seis vezes/dia apresentaram menor escore de células somáticas, talvez, como reflexo da menor incidência de mastite no rebanho.

Quanto maior a frequência de ordenha, maior é o rendimento de gordura e proteína no leite
Quatro ordenhas até os 21 dias; depois, duas - Overton lembra que o segundo esquema comumente discutido para a aplicação de ordenhas frequentes em vacas em início de lactação, e que talvez tenha maior potencial para ser adotado em fazendas leiteiras, é o da ordenha quatro vezes/dia durante as primeiras semanas de lactação e, em seguida, o retorno a duas ordenhas ao longo do restante da lactação. Destaca um experimento que avaliou quatro ordenhas/dia a partir do dia 1 ou 4 de lactação até 21 dias em leite; em seguida, ordenhas duas vezes/dia durante o restante da lactação em comparação a controles por período integral de duas vezes/dia.
“Aplicaram o esquema quatro vezes/dia no rebanho ordenhado duas vezes/dia iniciando com as vacas recém-paridas, seguidas pelo resto do rebanho e novamente iniciando a próxima ordenha com as vacas recém-paridas. Isso resultou em intervalos entre ordenhas de 3, 9, 3 e 9 horas para as vacas em início de lactação ordenhadas quatro vezes/dia. Observaram que este esquema somente no início de lactação aumentou o rendimento leiteiro para toda a lactação em cerca de 3 kg/dia, em comparação com o grupo controle ordenhado duas vezes/dia. A resposta foi maior em início de lactação – todos os grupos convergiram em fase mais tardia da lactação”, relata.
Em um experimento conduzido pelo próprio de Overton, se avaliou a ordenha quatro vezes/dia durante os primeiros 21 dias em leite, passando para duas vezes durante o restante do período de lactação em uma fazenda leiteira no oeste de Nova York. “As vacas submetidas ao aumento da frequência eram ordenhadas inicialmente e ao final de cada ordenha, resultando em intervalos de aproximadamente 5, 7, 5 e 7 horas para as quatro ordenhas”, conta, explicando que, embora tenha havido tendência de aumento do rendimento leiteiro durante os primeiros nove dias de teste, a magnitude da resposta final foi inferior (1,5 kg/dia) que a relatada em trabalhos anteriores, e as porcentagens de gordura e proteína apresentaram ligeira queda após os primeiros nove dias de teste.

“Para melhor avaliar os efeitos dos protocolos quatro vezes/duas vezes sobre as respostas de produção, recentemente, fechamos um acordo com quatro fazendas da região central de Nova York e incluímos um total de 421 vacas em um experimento com o objetivo de avaliar a consistência da resposta e os efeitos do intervalo mínimo entre ordenhas sobre as respostas ao citado protocolo. Ao parir, as vacas eram divididas entre dois tratamentos: control, em que as vacas foram ordenhadas duas vezes/dia durante toda a lactação, e intensivo (AFOF), em que as vacas foram ordenhadas quatro vezes durante os primeiros 21 dias de lactação e, posteriormente, duas vezes/dia. Os intervalos entre ordenhas para as vacas do grupo quatro vezes/dia variaram entre as quatro fazendas e foram de 3,5, 4, 5 e 5,5 horas.
“Como em três das quatro fazendas obtivemos recordes de produção de leite durante os primeiros sete meses, criamos um pool de informações destas granjas para avaliar as respostas como um todo, calculando um aumento médio de 2,2 kg/dia durante os primeiros sete meses de teste para as vacas ordenhadas quatro vezes/dia durante os primeiros 21 dias de lactação”, explica. Ainda que a resposta de rendimento leiteiro tenha sido positiva para a opção mais intensiva em todas as fazendas, sua magnitude foi diferente, variando de 1,5 kg/dia a 3,1 kg/dia. “É difícil determinar as razões específicas para a variação de respostas devido aos diferentes tipos de manejo envolvidos e condições de produção”, justifica.
Concluindo, Overton observa que o aumento da frequência de ordenha de vacas leiteiras em fase inicial de lactação parece resultar em efeitos residuais sobre o rendimento leiteiro que oferece às fazendas a oportunidade de obter melhor produção e rentabilidade lactacional. Devido aos desafios inerentes a conciliar a prática de ordenha seis vezes/dia de vacas em início de lactação com períodos adequados de descanso e alimentação, quatro vezes e duas vezes/dia parece ser um protocolo mais viável para a aplicação em fazendas leiteiras.
Ao avaliar uma série de estudos, o professor cita que a ordenha quatro vezes e duas vezes/dia resultou em elevações persistentes de produção. As diferenças observadas na magnitude da resposta entre fazendas estão provavelmente relacionadas à qualidade geral do manejo das vacas de transição, especialmente, fatores que afetam a dinâmica do grupo e o comportamento de alimentação, tais como taxas de lotação, mistura de vacas e primíparas, qualidade das novilhas de reposição e manejo nutricional como um todo.
Mais informações: Fazenda Santa Cruz – telefone: (33)3423-1881;
Gabriel Lara, Via Verde Consultoria – telefones: (31)9153-8383 e (16)3236-9802. www.viaverde.agr.br. |