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No pagamento de outubro, quando se remunerou a produção
de setembro, o preço médio nacional recuou nas mesmas
proporções que as do mês anterior. Tanto no mercado
spot, como no preço pago ao produtor, a queda foi em torno de
R$ 0,04/litro, na média nacional. Em relação ao
pico de preços, o valor pago ao produtor já recuou R$
0,137/litro ou 18,5% em 2008. No mercado spot, a queda nos preços
em relação ao pico do ano já ultrapassa os 29%,
ou R$ 0,25/litro. Em 2008, o pico de preços ocorreu para a produção
de maio, pagamento realizado em junho.
A queda foi acima do que era esperado, quando se contrapõe a
evolução do mercado em comparação com a
reversão do índice de consenso, que é a análise
da opinião dos agentes de mercado com relação ao
que deverá acontecer no pagamento seguinte. Em setembro, 29%
dos entrevistados passaram a acreditar em estabilidade no mercado, enquanto
outros 7,5% falavam em aumento nos preços. Geralmente, quando
essa proporção acontece, o movimento de queda começa
a perder força. Este mês, no entanto, essa tendência
não se confirmou.
Em outubro, o índice de consenso continuou dando sinais de perda
de força no movimento de baixa. O número de entrevistados
que acreditava em estabilidade na última pesquisa foi de 42%,
enquanto os que acreditam em aumento nos preços somaram 9,5%.
Os entrevistados falando em alta nos preços estão sendo
um pouco "contaminados" pelas empresas nordestinas. Nesta
região, o mercado vive um momento diferente do restante do País,
com os preços já em recuperação. Sendo assim,
a maior atenção nesta análise deve ser direcionada
àqueles que acreditam em estabilidade. Hoje, representam praticamente
o mesmo tanto que fala em novos recuos para novembro.
Os preços médios pagos na Bahia, no Ceará, em Pernambuco
e Alagoas variam de R$ 0,64 a R$ 0,67/litro. Estão, portanto,
entre os valores mais altos pagos do Brasil. Os produtores destes Estados
recebem preços próximos aos dos produtores fluminenses
e um pouco abaixo dos paulistas. Quando se analisa o preço médio
pago aos produtores com maiores bonificações, o maior
valor pago no Brasil é o de Pernambuco, único local onde
os preços ultrapassaram os R$ 0,80/litro.

Observe na Figura 1 os preços médios e mais altos (com
maiores bonificações) pagos nos Estados Brasileiros e
na média nacional. Em relação às regiões
mais tradicionais, os Estados do Sul, especialmente Rio Grande do Sul
e Santa Catarina, continuam sendo os mais pressionados. Estão
entre os preços mais baixos do País, com valores na faixa
de R$ 0,51 a R$ 0,56 por litro. O valor médio do ano até
o pagamento de outubro - considerando o preço nacional - passou
a ser inferior ao valor médio de 2007, corrigindo os preços
pelo IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade
Interna). Pela primeira vez no ano, a comparação de 2008
ficou abaixo da de 2007.
Se os preços pararem de cair e permanecerem estáveis até
dezembro, ainda assim, 2008 registrará um preço em torno
de R$ 0,03/litro inferior ao fechamento dos doze meses de 2007.
Mesmo assim, em termos de preços, o valor de 2008 seria o segundo
mais alto em onze anos, com preços corrigidos pelo IGP-DI. Nada
mal em termos de preços. O problema, no entanto, são os
custos de produção.
Segundo o acompanhamento de índices de custos de produção,
elaborado pela Scot Consultoria, em 2008, os custos da produção
leiteira estão cerca de 27,5% superiores aos de 2007. Até
julho, eram 32% mais altos, porém, de julho até outubro,
a queda no preço dos grãos e concentrados acabou favorecendo
um pouco o pecuarista. Com isso, a situação é bem
simples.
Produtores eficientes, de alta produtividade e que operaram com lucros
elevados em 2007, continuam sendo favorecidos em 2008. O ano fecha no
azul. A grande dificuldade fica para os produtores de leite com baixo
nível de produtividade. Estes, sem dúvida, terão
vivido 2008 de modo bem desconfortável, com contas altas para
pagar e receita insuficiente para cobrir.
Só más notícias neste mês? Nem tanto! Para
fechar igualzinho a telejornal noturno, boas notícias, só
no final. Em outubro, foi registrada a primeira alta no mercado atacado
de leite longa vida, depois de quatro meses de queda. Os preços
médios aumentaram cerca de 4,89% ou R$ 0,06/litro. Apenas um
terço desta alta foi repassada aos consumidores, através
do varejo. Embora ainda seja insuficiente, esse pequeno aumento no preço
pode aliviar a tão apertada indústria láctea.
No mercado externo, outra boa notícia. Em setembro, as exportações
de leite em pó e leite condensado bateram todos os recordes.
No mês, segundo dados da Secex-Secretaria de Comércio Exterior,
foram exportadas 14,98 mil toneladas. É o recorde de volume mensal
embarcado de leite em pó e leite condensado pelo Brasil. O volume
é praticamente duas vezes superior ao exportado em agosto e 3,6
vezes superior aos embarques de setembro de 2007.
Se persistir essa tendência de recuperação no mercado
e o aparente favorecimento do câmbio às exportações,
pode ser que o produtor brasileiro ganhe uma boa notícia até
o Natal. Por outro lado, não podemos nos esquecer de que enquanto
este artigo era escrito, o mundo ainda vivia todas as incertezas da
crise financeira internacional. Ainda estamos caminhando no escuro,
sem lanterna.
Maurício Palma Nogueira é engenheiro agrônomo,
diretor e coordenador da divisão de gestão empresarial
da Scot Consultoria. Mais informações: (17) 3343-5111.
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