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Pela primeira vez em 2010 foram registradas variações negativas nos preços pagos aos produtores. A queda de pouco mais de meio centavo no valor médio nacional pode ser considerada como praticamente estabilidade. Porém, daqui para frente, os preços deverão recuar cada vez mais até o final do ano. Com isso, dependendo da região ou do estabelecimento, o maior preço pago em 2010 terá sido em maio ou em junho.
Segundo a Scot Consultoria, apenas 4,5% dos entrevistados ainda falam em aumento nos valores que serão pagos em julho. Dentre os entrevistados que deverão reduzir os preços, a totalidade soma 45% do total entrevistado. O cenário é de queda.
O mercado do leite longa vida, no atacado, apresentou uma queda de R$ 0,157/litro em apenas um mês. A redução equivale a 9% em relação aos preços de maio. Em dois meses, o leite longa vida já recuou 17,6% ou R$ 0,34/litro para a indústria.
O comportamento de junho aumenta ainda mais as margens de preços do varejo. A diferença atual entre o que é pago pelo consumidor e o que a indústria recebe pelo leite é de 21,49%. Observe, na Tabela 1, o comportamento dos preços do leite em junho, segundo acompanhamento da Scot Consultoria.
Seguindo a tendência do leite longa vida, os preços negociados no mercado spot recuaram também em torno de 8% no mês de junho. A queda acumulada em 2010 é de R$ 0,14/litro em relação aos preços mais altos, registrados em abril.
O enfraquecimento do mercado spot é também uma das justificativas do maior recuo nos preços praticados no Estado de Goiás. Observe que dentre os maiores Estados produtores, Goiás foi a única região onde foram registrados recuos médios acima de 1,5% nos preços. A redução de 3,85% em junho é mais do que o dobro do que foi registrado em Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Com isso, Goiás perde a primeira posição no ranking de preços, que foi registrado apenas em maio. Essa tem sido uma das características mais comum do mercado de leite atual. Com maior dinamismo entre as bacias, fortalecimento de algumas grandes empresas no mercado spot e com técnicas que permitem maiores distâncias da matéria-prima, os preços entre o Estados se corrigem rapidamente.
Ora um, ora outro Estado ocupa a posição de preço mais alto pago no mês. Posição esta que tradicional e frequentemente é ocupada pelo Estado de São Paulo, o maior centro consumidor de leite e derivados do País. Atualmente, com preço de R$ 0,7868/litro, o Paraná registra os preços médios mais elevados no Brasil.
A dúvida agora é em relação a até que nível de preços o mercado deverá recuar. Caso não haja quedas bruscas nos valores, os preços de 2010 tenderão a ser sensivelmente superiores aos preços de 2009.
Neste cenário, as margens do produtor rural seriam as melhores dos últimos anos. De acordo com estudo realizado pela Bigma Consultoria, em 2010 o produtor registraria as melhores margens comparativas desde 2004. O resultado seria semelhante aos registrados nos anos de 2005 e 2007. Evidentemente que essa comparação considera empresas gerencialmente bem administradas.
Os custos de produção para 2010 parecem praticamente consolidados, com poucas alterações previstas até o final do ano. Os preços, no entanto, dependem de como o produtor está se comportando com relação à resposta aos estímulos favoráveis do ano. Qualquer análise econômica comparativa mostra que a produção de leite está hoje em melhores condições econômicas, quando comparada à grande maioria das atividades agropecuárias.
A relação de troca entre um litro de leite e uma ração padrão formulada com farelo de soja, milho e minerais é atualmente 40% melhor do que a média dos últimos 15 anos. Em abril e maio era ainda melhor, em torno de 50% acima da média.
Por isso, o comportamento dos preços até o final do ano depende de quanto o volume captado aumentará. Por ora não há indícios de volumes suficientemente elevados a ponto de fazer o mercado “despencar”. Mesmo assim, vale a pena ficar atento.
Maurício Palma Nogueira, engenheiro agrônomo, diretor da Bigma Consultoria. Mais informações, pelo e-mail: bigma@bigma.com.br |